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Mostrando postagens de julho, 2026

Emoções vividas na mediunidade

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  “Nem tudo são flores”. Essa expressão, embora clichê, traduz bem a complexidade da experiência mediúnica que não se resume a estados de paz e alegria, mas envolve também o contato com emoções desafiadoras. As emoções percebidas pelo médium são respostas automáticas a estímulos internos e externos, e nesse contexto surgem principalmente pela proximidade com diferentes tipos de espíritos. Os espíritos protetores geralmente transmitem vibrações de alegria, sentimos paz, serenidade e bem-estar, como se estivéssemos envoltos em uma atmosfera de luz. Já os espíritos em sofrimento trazem consigo ansiedade, tristeza, medo, raiva ou até repulsa. Sentimos essas sensações porque, em certo nível, acredito que compartilhamos o estado emocional que o espírito vivencia. Essa sensibilidade involuntária (mediunidade) explica a variação de emoções conforme a entidade que se manifesta. Essa dinâmica revela um aspecto importante da mediunidade, como funcionamos como um canal sensível, absorvemos...

Sensações físicas e energéticas na mediunidade

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  Em mim, a mediunidade sempre se manifestou por sinais iniciais como mãos frias, arrepios e tremores. No meu caso, sinto a conexão espiritual na região da nuca. É como se a entidade projetasse uma energia em direção a localização da minha nuca fazendo espécie de acoplamento. Essa interação gera uma sintonia vibratória que se manifesta como um “tranco” ou “solavanco”, acompanhado de alterações físicas como aumento do batimento cardíaco, visão turva e formigamento, culminando na incorporação. Cada dia no trabalho espiritual é uma verdadeira “caixinha de surpresa”: há dias em que pareço transbordar energia e outros em que minha vitalidade se parece muito reduzida. Essa oscilação é descrita na literatura espírita como natural, pois o médium é um canal fluídico cuja disponibilidade energética depende de fatores físicos, emocionais e espirituais. É fundamental ter atenção a esse ponto, pois não é recomendado exercer a mediunidade quando o corpo físico se encontra doente ou debilitado,...

O mito do afastamento

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  Trabalhei por quatro anos na mesa kardecista e, por motivos de estudos em cursos de pós-graduação para minha progressão profissional, precisei me afastar por seis anos. A esse período somaram-se mais seis anos, devido à pandemia, à morte do presidente da casa e às condições de trabalho que não favoreciam meu retorno à prática espiritual. Desejo refletir sobre o que irei denominar “mito do afastamento”: a crença de que, ao se afastar do mundo espiritual, tudo em sua vida passará a dar errado, como se fosse proibido interromper a prática mediúnica. Essa ideia não se sustenta. Afinal, quando trabalhamos com seres de luz, eles têm plena consciência de que vivemos no mundo material e que precisamos da materialidade especialmente o aspecto financeiro para sobreviver. A literatura espiritual mostra que o afastamento não deve ser visto como uma quebra de compromisso, mas como parte do ciclo evolutivo. O médium pode atravessar fases de maior ou menor dedicação, conforme suas condições...

A prática mediúnica

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  A mesa das Rosas Brancas, na qual trabalho, é um lugar peculiar. Faz parte de uma casa fundada por um caboclo e, por isso, sua cúpula espiritual é composta por caboclas(os) e pretas(os)-velhas(os). Embora tenha um funcionamento muito semelhante ao descrito no livro Desobsessão, de Chico Xavier e Waldo Vieira, guarda essa característica própria de origem. A mesa kardecista tem como principal objetivo o esclarecimento de espíritos em sofrimento, conduzindo-os ao entendimento moral. O que diferenciava o trabalho da Umbanda e do Kardecismo em termos de práticas mediúnicas? Na Umbanda, o transporte mediúnico é o processo pelo qual os guias espirituais utilizam o corpo e o campo energético do médium, durante a incorporação ritualística que representa uma doação energética intensa, para deslocar ou encaminhar espíritos necessitados aos planos astrais de tratamento. No Kardecismo, o espírito desencarnado em condição de desequilíbrio e sofrimento manifesta-se por meio do médium psicofôn...

Um tempo no caminho da Umbanda

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  Trabalhei durante dois anos como cambona e, em seguida, quatro anos como médium de transporte. Como previu meu padrinho, foi um caminho difícil e marcado por sofrimento. Enquanto permaneci como cambona, não enfrentava grandes problemas: era um aprendizado constante, ouvindo as histórias dos consulentes e ouvindo a sabedoria dos guias, que traziam consolo para o sofrimento humano. Hoje, com mais maturidade, percebo que teria sido muito valioso permanecer nessa função por cerca de uns dez anos, aprofundando ainda mais esse aprendizado. Infelizmente, não fiz essa escolha... Na Umbanda, existe uma hierarquia espiritual dentro dos trabalhos. Eu, ainda muito jovem, acreditava que não estava evoluindo. Por ser assídua e dedicada, os guias começaram a me testar como médium de transporte. Foi nesse momento que os desafios começaram. O trabalho de transporte exige grande quantidade de energia vital, pois o médium atua como ponte para que espíritos em sofrimento possam se manifestar e ser...

A entrada como médium

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  No dia 22 de outubro de 2003 assumi meu compromisso de trabalhar com a mediunidade. Nesse dia, ao entrar no terreiro, o som do atabaque e o contato dos pés com o chão fizeram com que todas aquelas sensações viessem à tona de forma muito intensa: formigamentos, frio e tremores nos pés e nas mãos. Não tive incorporação no primeiro, nem no segundo e nem no terceiro dia... A energia que sentia era muito forte e parecia que eu cairia no chão, o que me causava medo. Com o desenvolvimento, vamos nos acostumando com essa energia e a incorporação acontece naturalmente... Na Umbanda, o ritual inicia com os médiuns entoando os pontos cantados que são cânticos sagrados usados para invocar, saudar ou despedir entidades espirituais. Ele funciona como oração musicada, sustentando a energia e criando um elo vibracional entre o plano físico e o espiritual. Os pontos e as orações cantadas me elevavam espiritualmente e me permitiam sentir a unidade com o divino. No entanto, no início também senti...

Uma pausa para contar sobre o amor...

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  Enquanto frequentava o curso de médium, assistia às giras e me consultava com os guias. Um dia, o caboclo Sete Flechas conversou comigo e falou sobre resgatar o afeto em relação ao meu pai, já que sempre tivemos muitas divergências. Ele me perguntou como estava o meu coração. Respondi que não queria saber dessas coisas de coração, pois até então só havia encontrado amores tóxicos. Ele terminou a consulta com um largo sorriso e disse: “Mas o amor da sua vida está muito próximo, muito mais próximo do que você imagina...” Adorava assistir às giras de ibejada. Algo começou a chamar muito a minha atenção: um médium muito jovem que, em todas as giras, fosse de pretos-velhos e pretas-velhas, exus e pombagiras ou povo das águas, incorporava a ibejada. Passei a observá-lo sempre. Não pude deixar de me sentir atraída por ele, pois o achava muito bonito. Em pouco tempo, já me vi apaixonada. Estava lá agora por gratidão e por paixão. No dia 15 de agosto, data em que o centro comemora o d...

Conhecendo a Umbanda...

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  Marquei uma nova entrevista com o presidente e estava muito feliz por estar curada das dores que, por muito tempo, me atormentaram. Disse que gostaria de fazer o curso de médium. O presidente me informou que o curso já estava em andamento, mas que eu poderia começar mesmo assim, garantindo que faria algumas revisões para que eu não perdesse o conteúdo anterior. No curso de médium aprendi muitas coisas sobre a Umbanda praticada na casa espírita. Quem ministrava o curso era o próprio presidente da casa. As aulas começavam com a história da fundação do centro, que há quase 100 anos atrás foi criado por um caboclo e seu médium nos trabalhos de uma mesa kardecista. Depois, surgiram as outras três linhas de trabalho. Uma das lições importantes que aprendi foi que, naquele centro, incorporávamos eguns, espíritos de pessoas já desencarnadas. Assim como existem pessoas boas e más, os eguns também se dividem dessa forma. Foi ensinado que os espíritos de luz já estão desligados da matér...