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Aprendizados – Parte 4: A importância da prece e da doutrinação.

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Há uma semana vivi uma situação que já havia enfrentado muitas vezes, mas desta vez, felizmente, recebi antes a orientação de uma médium mais experiente sobre como agir. Normalmente, após o trabalho espiritual, sinto cansaço acompanhado de bem-estar e leveza; porém, em alguns casos, quando lidamos com energias mais densas, podemos sair com sensação de peso e mal-estar físico. A recomendação que recebi foi aplicar em casa o mesmo procedimento que realizamos na casa espírita: abrir o evangelho ao acaso, ler o trecho indicado e, em seguida, encaminhar mentalmente o espírito para hospitais e locais de regeneração espiritual. Na ocasião, pedi auxílio ao meu esposo para a leitura, pois estava me sentindo tão mal que não conseguia manter a concentração. Esse apoio de pessoas de confiança é essencial nesses momentos. Esse episódio destaca o valor da prece e da doutrinação. A oração sincera fortalece o médium, harmoniza o ambiente e cria um elo de luz que auxilia tanto quem doa quanto quem ...

Aprendizados – Parte 3: Incorporação consciente

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  Um dos maiores desafios da incorporação consciente é lidar com a atenção dividida: uma parte de si permanece como indivíduo, enquanto outra se conecta a seres espirituais. Essa dualidade é descrita em diversas tradições espiritualistas como o estado de “consciência compartilhada”, em que o médium não perde totalmente sua identidade, mas aprende a coexistir com a presença espiritual. Um aspecto curioso é que, mesmo estando concentrada, pode surgir um pensamento intrusivo, muitas vezes reflexo de ansiedade ou de ruídos internos da mente. Quando eu era mais jovem, esses momentos me maltratavam mentalmente: desconfiava da minha mediunidade e me cobrava um idealismo de uma incorporação perfeita. Essa busca pela perfeição, segundo a literatura espiritual, é uma armadilha do ego, pois a verdadeira prática mediúnica não exige excelência, mas sim entrega e confiança no processo. Interessante notar que quanto mais você se irrita com esses pensamentos, mais eles se fortalecem, criando uma c...

Aprendizados – Parte 2: rituais

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  Na mesma linha das reflexões que compartilhei anteriormente, reconheço que existem muitos rituais que podem ser feitos em preparação para o exercício da mediunidade. Não nego o poder das ervas aromáticas: por volta dos 25 anos sofri com erisipelas de repetição, e a avó do meu esposo trazia folhas de pinhão roxo para que eu banhasse minhas pernas, era um grande alívio e uma demonstração de como a natureza pode ser instrumento de alívio e cura. No entanto, para o dia a dia ajo de forma simples. Não faço jejum nem qualquer tipo de restrição alimentar, pois já convivo com uma síndrome que limita bastante minha alimentação. Também não tomo banho de ervas regularmente; vou ao trabalho espiritual limpa com água e sabonete de glicerina, o que já sinto ser suficiente para manter a higiene física e espiritual. Quanto ao tabu do sexo, mantenho minhas atividades sexuais normais e saudáveis com meu esposo, sem me abster de nada. A espiritualidade não exige repressão, mas sim equilíbrio e re...

Aprendizados – Parte 1: sobre vestimentas e acessórios

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  Um episódio curioso marcou duas fases distintas da minha caminhada mediúnica. Quando iniciante, acreditava que era necessário despir-me de acessórios e estar descalço no terreiro para que a incorporação acontecesse de forma mais intensa. Em certo dia, por acaso, estava cheio de energia, estava sem relógio, sem brincos e descalça. A experiência de incorporação foi forte, e associei essa intensidade ao ritual externo. Na verdade, tratava-se de uma distorção cognitiva, alimentada pelo viés de confirmação: a mente buscava uma explicação simples e visível para um fenômeno que é, em essência, espiritual. Passados vinte e três anos, hoje me sento à mesa das Rosas Brancas com brinco, relógio, meia e tênis. Há dias em que a incorporação é intensa, e outros em que não é. E está tudo bem. Aprendi a aceitar meu lado humano e a compreender que a mediunidade não exige perfeição exterior, mas sim equilíbrio interior. Deixei o perfeccionismo de lado, pois ele não favorece nem a saúde mental ne...

Emoções vividas na mediunidade

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  “Nem tudo são flores”. Essa expressão, embora clichê, traduz bem a complexidade da experiência mediúnica que não se resume a estados de paz e alegria, mas envolve também o contato com emoções desafiadoras. As emoções percebidas pelo médium são respostas automáticas a estímulos internos e externos, e nesse contexto surgem principalmente pela proximidade com diferentes tipos de espíritos. Os espíritos protetores geralmente transmitem vibrações de alegria, sentimos paz, serenidade e bem-estar, como se estivéssemos envoltos em uma atmosfera de luz. Já os espíritos em sofrimento trazem consigo ansiedade, tristeza, medo, raiva ou até repulsa. Sentimos essas sensações porque, em certo nível, acredito que compartilhamos o estado emocional que o espírito vivencia. Essa sensibilidade involuntária (mediunidade) explica a variação de emoções conforme a entidade que se manifesta. Essa dinâmica revela um aspecto importante da mediunidade, como funcionamos como um canal sensível, absorvemos...

Sensações físicas e energéticas na mediunidade

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  Em mim, a mediunidade sempre se manifestou por sinais iniciais como mãos frias, arrepios e tremores. No meu caso, sinto a conexão espiritual na região da nuca. É como se a entidade projetasse uma energia em direção a localização da minha nuca fazendo espécie de acoplamento. Essa interação gera uma sintonia vibratória que se manifesta como um “tranco” ou “solavanco”, acompanhado de alterações físicas como aumento do batimento cardíaco, visão turva e formigamento, culminando na incorporação. Cada dia no trabalho espiritual é uma verdadeira “caixinha de surpresa”: há dias em que pareço transbordar energia e outros em que minha vitalidade se parece muito reduzida. Essa oscilação é descrita na literatura espírita como natural, pois o médium é um canal fluídico cuja disponibilidade energética depende de fatores físicos, emocionais e espirituais. É fundamental ter atenção a esse ponto, pois não é recomendado exercer a mediunidade quando o corpo físico se encontra doente ou debilitado,...

O mito do afastamento

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  Trabalhei por quatro anos na mesa kardecista e, por motivos de estudos em cursos de pós-graduação para minha progressão profissional, precisei me afastar por seis anos. A esse período somaram-se mais seis anos, devido à pandemia, à morte do presidente da casa e às condições de trabalho que não favoreciam meu retorno à prática espiritual. Desejo refletir sobre o que irei denominar “mito do afastamento”: a crença de que, ao se afastar do mundo espiritual, tudo em sua vida passará a dar errado, como se fosse proibido interromper a prática mediúnica. Essa ideia não se sustenta. Afinal, quando trabalhamos com seres de luz, eles têm plena consciência de que vivemos no mundo material e que precisamos da materialidade especialmente o aspecto financeiro para sobreviver. A literatura espiritual mostra que o afastamento não deve ser visto como uma quebra de compromisso, mas como parte do ciclo evolutivo. O médium pode atravessar fases de maior ou menor dedicação, conforme suas condições...