A entrada como médium

 


No dia 22 de outubro de 2003 assumi meu compromisso de trabalhar com a mediunidade. Nesse dia, ao entrar no terreiro, o som do atabaque e o contato dos pés com o chão fizeram com que todas aquelas sensações viessem à tona de forma muito intensa: formigamentos, frio e tremores nos pés e nas mãos. Não tive incorporação no primeiro, nem no segundo e nem no terceiro dia... A energia que sentia era muito forte e parecia que eu cairia no chão, o que me causava medo. Com o desenvolvimento, vamos nos acostumando com essa energia e a incorporação acontece naturalmente...

Na Umbanda, o ritual inicia com os médiuns entoando os pontos cantados que são cânticos sagrados usados para invocar, saudar ou despedir entidades espirituais. Ele funciona como oração musicada, sustentando a energia e criando um elo vibracional entre o plano físico e o espiritual. Os pontos e as orações cantadas me elevavam espiritualmente e me permitiam sentir a unidade com o divino. No entanto, no início também sentia uma dor intensa no chakra do plexo solar. Meu padrinho, o caboclo Sete Flechas, dizia que se tratava de uma desarmonia que coincidia com as primeiras sensações que tive ao assumir esse compromisso: ansiedade, insegurança e medo do julgamento alheio.

No início, a caminhada não é fácil. Passa pelos pensamentos que você está entregando, mesmo que de forma consciente, o próprio corpo para o mundo espiritual trabalhar, um mundo que ainda se desconhece completamente. Eu sou uma médium consciente. O presidente ensinou na doutrina que médiuns inconscientes, de forma natural, são raríssimos. Ele também nos explicou que é possível chegar à inconsciência por meio de rituais magísticos que não eram realizados neste centro. Médiuns conscientes são aqueles que mantêm a lembrança do que ocorre durante a incorporação, enquanto médiuns inconscientes transmitem mensagens muitas vezes sem recordar o que foi dito após o transe.

Após a gira, onde acontece o desenvolvimento mediúnico, em seguida, acontece o atendimento ao público com consultas espirituais que inclui palavras de conforto, passes, desobsessão, transporte e cura. Nessa parte do trabalho eu trabalhava no início como cambona, que é uma assistente dos guias e trabalhos espirituais, cuidando da logística e da segurança do terreiro.

Semana que vem conto mais...

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