O mito do afastamento
Trabalhei por quatro anos na
mesa kardecista e, por motivos de estudos em cursos de pós-graduação para minha
progressão profissional, precisei me afastar por seis anos. A esse período
somaram-se mais seis anos, devido à pandemia, à morte do presidente da casa e
às condições de trabalho que não favoreciam meu retorno à prática espiritual.
Desejo refletir sobre o que
irei denominar “mito do afastamento”: a crença de que, ao se afastar do mundo
espiritual, tudo em sua vida passará a dar errado, como se fosse proibido
interromper a prática mediúnica. Essa ideia não se sustenta. Afinal, quando
trabalhamos com seres de luz, eles têm plena consciência de que vivemos no
mundo material e que precisamos da materialidade especialmente o aspecto
financeiro para sobreviver.
A literatura espiritual mostra
que o afastamento não deve ser visto como uma quebra de compromisso, mas como
parte do ciclo evolutivo. O médium pode atravessar fases de maior ou menor
dedicação, conforme suas condições físicas, emocionais e sociais. O verdadeiro
compromisso está na intenção interior e na disposição de servir quando
possível, não em uma presença contínua e ininterrupta.
Portanto, o afastamento não é
um “castigo” ou uma “ruptura espiritual”, mas uma pausa necessária para que o
médium cuide de si, amadureça e retorne em melhores condições. Os guias
espirituais compreendem que o equilíbrio entre o mundo material e o mundo espiritual
é fundamental para que o trabalho mediúnico seja saudável e duradouro.
Nas próximas seções
apresentarei relatos pessoais que comparam minhas experiências mediúnicas
vividas entre os 23 e 34 anos e aquelas após os 45 anos. Essa comparação
abordará diferentes dimensões: as sensações físicas e energéticas, as emoções
vividas, os aprendizados adquiridos ao longo do caminho e os impactos na vida
pessoal.

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