Uma pausa para contar sobre o amor...
Enquanto
frequentava o curso de médium, assistia às giras e me consultava com os guias.
Um dia, o caboclo Sete Flechas conversou comigo e falou sobre resgatar o afeto
em relação ao meu pai, já que sempre tivemos muitas divergências. Ele me
perguntou como estava o meu coração. Respondi que não queria saber dessas
coisas de coração, pois até então só havia encontrado amores tóxicos. Ele
terminou a consulta com um largo sorriso e disse: “Mas o amor da sua vida está
muito próximo, muito mais próximo do que você imagina...”
Adorava
assistir às giras de ibejada. Algo começou a chamar muito a minha atenção: um
médium muito jovem que, em todas as giras, fosse de pretos-velhos e
pretas-velhas, exus e pombagiras ou povo das águas, incorporava a ibejada.
Passei a observá-lo sempre. Não pude deixar de me sentir atraída por ele, pois
o achava muito bonito. Em pouco tempo, já me vi apaixonada. Estava lá agora por
gratidão e por paixão.
No dia
15 de agosto, data em que o centro comemora o dia de Iemanjá, tive um sonho
muito significativo: eu, um rapaz de olhos azuis e uma criança na praia, como
se fôssemos uma família. Foi um sonho tão feliz. Na festa de Iemanjá, os
médiuns costumavam levar um barquinho cheio de pedidos. No meu papelzinho,
escrevi o desejo de encontrar um amor honesto, sincero, fiel, bondoso e
inteligente. Hoje, percebo que esse gesto prejudica o meio ambiente. Se fosse atualmente,
pediria apenas em silêncio, mentalmente, com a mesma fé, mas de maneira mais
consciente.
Depois
desse dia, conheci o médium que parecia ter a ibejada “de frente” e, para minha
surpresa, ele tinha lindos olhos azuis. Poucos dias depois, trouxe-me um cuscuz
doce dizendo que havia feito pensando em mim.
Em
setembro, decidi me declarar e, nesse mesmo mês, mês das ibejadas, ficamos
juntos. Os pretos-velhos e pretas-velhas nos casaram espiritualmente e,
curiosamente, o cartório escolheu o dia 13 de maio para o nosso casamento. Já
se passaram 23 anos dessa linda história de amor...
Na quinta-feira conto mais...

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