Conhecendo a Umbanda...
Marquei
uma nova entrevista com o presidente e estava muito feliz por estar curada das
dores que, por muito tempo, me atormentaram. Disse que gostaria de fazer o
curso de médium. O presidente me informou que o curso já estava em andamento,
mas que eu poderia começar mesmo assim, garantindo que faria algumas revisões
para que eu não perdesse o conteúdo anterior.
No
curso de médium aprendi muitas coisas sobre a Umbanda praticada na casa
espírita. Quem ministrava o curso era o próprio presidente da casa. As aulas
começavam com a história da fundação do centro, que há quase 100 anos atrás foi
criado por um caboclo e seu médium nos trabalhos de uma mesa kardecista.
Depois, surgiram as outras três linhas de trabalho.
Uma
das lições importantes que aprendi foi que, naquele centro, incorporávamos
eguns, espíritos de pessoas já desencarnadas. Assim como existem pessoas boas e
más, os eguns também se dividem dessa forma. Foi ensinado que os espíritos de
luz já estão desligados da matéria e não precisam receber nada em troca da
caridade. Já os espíritos em evolução, zombeteiros e batedores ainda estão
presos à matéria. O trabalho, a obrigação ou, no termo popular, a “macumba”, é
uma espécie de pacto feito com espíritos em troca de um pedido. O presidente
nos ensinou a não pactuar com esse tipo de espírito e a não realizar
obrigações. Você até consegue o que deseja, mas há um preço muito alto a pagar.
Ele contou casos de pessoas que pediram mulheres casadas, dinheiro e fama, mas
que, no fim da vida, tiveram desfechos de muito sofrimento e até morte. Se
fosse necessário algum ritual simbólico, as únicas “magias” permitidas no
centro eram o uso de velas, defumação e o banho de rosa branca.
Nesse
curso também aprendi que, naquele centro, quem comandava os trabalhos eram os
caboclos, caboclas, pretos-velhos, pretas-velhas, Oguns e Xangôs. As falanges
das ibejadas e dos exus também trabalhavam no centro, mas estavam submetidas à
hierarquia dos comandantes dos trabalhos.
Semana que vem conto mais...
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