Aprendizados – Parte 1: sobre vestimentas e acessórios
Um episódio curioso marcou
duas fases distintas da minha caminhada mediúnica. Quando iniciante, acreditava
que era necessário despir-me de acessórios e estar descalço no terreiro para
que a incorporação acontecesse de forma mais intensa. Em certo dia, por acaso,
estava cheio de energia, estava sem relógio, sem brincos e descalça. A
experiência de incorporação foi forte, e associei essa intensidade ao ritual
externo. Na verdade, tratava-se de uma distorção cognitiva, alimentada pelo
viés de confirmação: a mente buscava uma explicação simples e visível para um
fenômeno que é, em essência, espiritual.
Passados vinte e três anos,
hoje me sento à mesa das Rosas Brancas com brinco, relógio, meia e tênis. Há
dias em que a incorporação é intensa, e outros em que não é. E está tudo bem.
Aprendi a aceitar meu lado humano e a compreender que a mediunidade não exige
perfeição exterior, mas sim equilíbrio interior. Deixei o perfeccionismo de
lado, pois ele não favorece nem a saúde mental nem a espiritual.
Segundo a Doutrina Espírita,
os acessórios externos não interferem na comunicação espiritual. A comunicação
espiritual se estabelece nas condições de três fatores fundamentais: 1) Moral, Intenção
e Sintonia Mental: a disposição íntima do médium em servir ao bem e a vontade
sincera de auxiliar; 2) Energia Vital: que varia conforme o estado físico e
emocional do médium; 3) Ambiente Espiritual: locais sérios e adequados onde os mentores
espirituais regulam a intensidade das manifestações conforme a necessidade de
cada caso. Isso significa que a força da incorporação não depende apenas da
disposição do médium, mas também daquilo que é útil e adequado para o momento.
O amadurecimento mediúnico trouxe
para mim a compreensão de que não somos máquinas de incorporação. Há dias de
maior sensibilidade e outros de menor. Essa oscilação é natural e reflete nossa
condição humana. O importante é manter a constância no estudo, na oração e na
prática do bem, sem se prender a rituais exteriores. Essa consciência traz
humildade e confiança: o médium se coloca como instrumento, e os espíritos de
luz decidem a intensidade necessária. Essa entrega reduz a ansiedade e
fortalece a fé, pois o médium entende que está sempre amparado e guiado.

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