Coincidências...
Antes
de contar propriamente como descobri que era médium, preciso relatar algumas
coincidências que talvez não sejam apenas coincidências...
Aos 12
anos, eu era uma criança sonâmbula. Todas as noites, minha mãe dizia que eu
caminhava pela casa de olhos abertos, mas, na verdade, estava em estado
catatônico, como se ainda estivesse dormindo. Durante alguns anos, convivi com
o sonambulismo, que se estendeu até parte da minha adolescência...
Na
minha infância e adolescência, eu já carregava uma forte intuição e uma alta sensibilidade.
Pelo menos uma vez ao dia, um tremor me percorria acompanhado de um arrepio nas
costas, como se uma presença invisível tivesse acabado de atravessar meu corpo.
Muitas vezes percebia acontecimentos antes mesmo de compreender de onde vinham,
como se alguém tivesse me contado previamente. De repente, um fato ainda não
ocorrido surgia em minha mente. Outro aspecto interessante eram os sonhos
espirituais, pois em algumas situações se revelavam ali e, mais tarde, se
concretizavam na vida real.
Minha
avó materna morava no próprio local de trabalho: um orfanato que, no mesmo
prédio, abrigava também um Centro Espiritualista com quatro linhas de trabalho
espiritual. Havia duas entradas distintas: uma porta levava diretamente ao altar
religioso principal no térreo, enquanto a outra dava acesso às escadas, de onde
se chegava aos andares superiores ocupados pelo orfanato.
Quando íamos visitar minha avó, minha mãe sempre sugeria que entrássemos pelo Centro Espiritualista, para evitar que alguém precisasse descer e abrir o portão. Algo, no mínimo, curioso é que, quando criança e adolescente, eu sentia um medo enorme ao ver aquelas pessoas vestidas de branco girando no terreiro.
Amanhã conto mais...

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