Pelo amor ou pela dor? Parte II

 

Minha avó paterna era, como se diz hoje em dia, minha “casca de bala”. Ela conseguiu para mim uma consulta com um médico espírita, Dr. Marciano, que cobrava valores muito acessíveis. Fui até lá acompanhada da minha irmã e não dissemos nada sobre nossos problemas. O médico nos atendeu em aparente estado de incorporação e afirmou que eu estava anêmica, tinha colesterol alto, varizes e ansiedade. Prescreveu Iberin Fólico, Alcachofra Composta, Ginkgo Biloba e Passiflora.

O mais interessante é que, até hoje, realmente tenho colesterol alto de origem genética, varizes (pélvicas e retais) e ansiedade. Já minha irmã, que sofria de um problema no ouvido, ficou impressionada quando ele retirou uma mecha de cabelo dela e mostrou que ela tinha um problema no ouvido. Saímos de lá muito impressionadas. Foi uma experiência única em nossas vidas.

Mas o problema do enorme peso nas pernas não se resolveu. Fiquei muito triste: dormia e, ao acordar, não tinha vontade de levantar da cama. Em apenas uma semana, emagreci sete quilos. Minha mãe insistiu para que eu fosse novamente ao médico, e o clínico geral da vez era ortopedista. Cheguei ao consultório chorando, contando toda a minha história, e desabafei: “Tenho 23 anos e já vou morrer”.

Ele me receitou um medicamento e pediu que eu fosse imediatamente à farmácia ao lado para começar o tratamento. Ao chegar lá, estranhamente o farmacêutico solicitou uma cópia da receita. Perguntei por que aquele remédio exigia cópia, e ele respondeu: “Você não sabe por que o médico prescreveu isso?”. Respondi que não, que havia vindo direto do consultório. Então ele me informou que se tratava de um antidepressivo e que eu estava com depressão. Peguei a receita e saí correndo da farmácia, dizendo para mim mesma que a depressão iria embora.

Amanhã posto mais...

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