Pelo amor ou pela dor? Parte I
Bom,
penso que agora já vou dar um grande salto para a minha vida adulta. Exatamente
no dia do meu aniversário 13 de fevereiro de 2003, quando completei 23 anos,
acordei “doente”. Acordei como se tivesse com os tornozelos algemados
carregando grilhões bem pesados. Minhas pernas estavam tão pesadas que nem quis
sair da cama naquele dia.
No dia
seguinte, o mesmo peso nas pernas me levou a procurar uma médica de clínica
geral. Ela disse que poderia ser falta de vitamina B, responsável por aqueles
sintomas. Fiz suplementação por 30 dias, mas não houve melhora. Resolvi então
voltar ao médico e, por acaso, o profissional que me atendeu era também
cardiologista. Contei que continuava sentindo o peso nas pernas e que a
suplementação não havia surtido efeito. Ele perguntou se eu tomava
anticoncepcional; respondi que sim. Foi então que me alertou sobre a
possibilidade de princípio de trombose venosa profunda e prescreveu varfarina
para uso imediato, recomendando também que eu providenciasse um exame chamado
eco color doppler venoso.
Como
eu enfrentava dificuldades financeiras, procurei um local popular e consegui
realizar o exame em um hospital beneficente sem fins lucrativos. Fui acompanhada pelo meu pai e, ao
chegarmos, um carro subiu a calçada e parou a poucos centímetros de nós dois.
Naquele instante, antes mesmo de fazer o exame, tive a certeza de que o
resultado seria negativo afinal, se fosse para morrer, poderia ter acontecido naquele
momento. Fiz o exame e minhas veias estavam sem trombos. O médico responsável
afirmou que eu deveria interromper imediatamente o uso da varfarina, pois era
muito perigoso continuar tomando sem necessidade.
A dor
na perna continuava, e então fiz uma terceira tentativa de consulta médica. O
clínico do dia me encaminhou para um reumatologista. Fui a um especialista que
realizou alguns testes físicos e disse que, aparentemente, não havia nada.
Explicou que existiam pessoas que apresentavam dores chamadas “fantasmas”,
relacionadas à fibromialgia, e prescreveu ciclobenzaprina por 15 dias. Fiz uso
da medicação, mas, ao retornar, informei que a dor não havia diminuído nem um
pouco. Além disso, nessa época comecei a sentir dormência nos membros e
espasmos musculares espontâneos. Diante dos novos sintomas, ele recomendou que
eu procurasse um neurologista.
Quando fui ao neurologista deixei-o a par de todo meu histórico e ele me pediu um exame de sangue FAN para detectar doenças autoimunes. Também me pediu coagulograma e muitos outros exames. Todos negativos. Diante de todos aqueles exames negativos, ele atentou que talvez eu devesse investigar para esclerose múltipla dos órgãos, mas que o exame era muito invasivo.
Amanhã conto mais...

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