Conhecendo meu padrinho espiritual – Parte I
Fui
direcionada à consulta com o Caboclo Sete Flechas, na época dirigente das
sessões de sábado. Para mim, aquela consulta foi um tanto estranha: em vez de
falar diretamente comigo, ele se dirigia a entidades invisíveis que, segundo
dizia, estavam ao meu lado. Chamava-lhes a atenção, afirmando que não poderiam
maltratar meu aparelho físico da forma como estavam fazendo.
Realizou
então uma espécie de ritual de equilíbrio dos chakra, passando uma pomada
amarela e riscando a pemba em várias partes do meu corpo. Ao final, foi muito
claro: eu deveria retornar mais duas vezes, pois eram necessárias três
consultas para concluir aquele trabalho. Por último, ele me avisou que eu teria
desafios maiores ou menores para retornar. Fui embora sem compreender
totalmente o que aquilo significava.
Naquela
semana, vivi os melhores dias depois de muito tempo: seis dias completos sem
dor. Havia esperança, finalmente parecia ter encontrado a solução para o meu
problema. Contei aos meus pais, e eles sabiam que eu precisava cumprir o
tratamento de três sábados — ainda faltavam dois encontros.
No dia
da segunda consulta, tomei banho e resolvi vestir um vestido. Para isso, peguei
um barbeador novo e comecei a depilar as pernas. No entanto, ao me cortar, o
ferimento não parava de sangrar. Disse à minha mãe que não poderia ir ao Centro
porque o corte não estancava. Ela, porém, afirmou que eu deveria ir, pois havia
pedido um favor ao presidente do Centro e precisava ter consideração pelo
privilégio de estar recebendo ajuda.
Amarrei um pano na perna e, mesmo sangrando, fui ao Centro. Chegando lá falei ao caboclo Sete Flechas do desafio de chegar lá, foi então que ele me explicou que era isso que significava as palavras finais do último sábado e ele disse que desafios ainda maiores surgiriam para a última consulta com ele. Fez os mesmos trabalhos que da última vez. Naquele momento comecei a sentir um enorme afeto por aquele guia e tinha certeza de que aquele encontro não era por um mero acaso do destino.
Na próxima semana conto mais...

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