A primeira vez no chão do terreiro
A
primeira vez que entrei no terreiro para uma consulta... Preciso dizer que, aos
2 anos de idade, já havia entrado nesse mesmo terreiro como daminha de
casamento da minha tia, sem sequer ter sido convidada. Minha mãe conta que eu
estava tão bonitinha de vestido branco, tão articulada, que segurei a mão do
daminho e improvisei o papel de daminha.
Voltando
à consulta: ao entrar no terreiro, todos os sintomas se exacerbaram
intensamente. Comecei a tremer e minhas mãos e pés ficaram gelados, como se
fosse hipotermia... O guia foi muito preciso ao afirmar que eu sou médium e que
havia me comprometido a trabalhar neste local antes da minha reencarnação. Segundo
o guia espiritual havia chegado a minha hora.
Na Umbanda, existe uma prática chamada transporte, que é a capacidade mediúnica de sentir energias negativas em transe e incorporar espíritos ignorantes próximos à pessoa. Às vezes, durante a prática do transporte, o médium incorpora seus guias protetores ou o guia espiritual da pessoa para transmitir algum recado por meio da psicofonia. A primeira vez que realizaram transporte em mim, manifestou-se a Anastácia, uma criança espiritual, que disse estar imensamente feliz por me ver ali. Ela afirmou que eu tinha ligação com a falange das crianças e com as crianças terrenas. Isso fez muito sentido, pois sou professora de adolescentes que, aos meus olhos, com cerca de 30 anos de diferença de idade, ainda são crianças...
Próxima semana conto mais...

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